por que um evento de cannabis no Brasil não é só sobre fumar maconha?
- 19 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de nov. de 2024
Nos dias 15, 16 e 17 de novembro de 2024 aconteceu em São Paulo a 2a edição da Expo Cannabis Brasil.
O evento reuniu dezenas de expositores e pessoas interessadas na planta que (infelizmente) ainda é proibida no território nacional.
Mas, assim como a educação alimentar é um assunto para poucos, compreender o uso da maconha para além do fumo também requer educação e muito estudo. Enquanto o nosso sistema não enxerga seus benefícios e legaliza de uma vez a verdinha, a discussão segue na mão de alguns.

A feira juntou diversos expositores que produzem itens variados da erva e propôs mostrar o quanto a planta é versátil e pode ser utilizada tanto para fins medicinais como para produzir roupas de camas a partir do cânhamo - que é uma variação da planta e pode ser utilizada como têxtil.
A Expo também premiou expositores com ideias inovadoras. A empresa ‘Liamba’ foi vencedora na categoria Melhor Produto. Ela oferece serviço de consultoria para pesquisas relacionadas ao uso da cannabis e cânhamo no Brasil, desde o cultivo até seu uso como suplemento alimentar animal e maquinário de pós colheita.
Cervejas, sementes, roupas, licor e até massagem fizeram parte da segunda edição. Alguns brindes foram distribuídos e manifestações do coletivo Marcha da Maconha também marcaram o evento. A feira contou com rodas de conversa, shows e apresentações de artistas como Febem com participação de Fleezus, Akira Presidente, Luccas Carlos e outros.
Por outro lado, mesmo após a decisão de que a quantidade de 40 gramas de porte do usuário tornar-se apenas infração com medidas educativas e serviços comunitários, o critério de avaliação continua dentro do sistema que mais prende jovens negros que vão parar no sistema prisional do Brasil.
Portanto, o estudo e a discussão sobre a cannabis continua urgente. O país tem mais de 183 mil pessoas presas por tráfico de drogas, 19 mil portando até 100 gramas de maconha. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Brasil gasta R$ 591,6 milhões ao ano para manter os condenados na prisão.
Dica Extra: Assista ao documentário ‘Grass is Greener’ ou ‘Baseado em Fatos Raciais’ (2019) disponível na Netflix.
E a pergunta que fica após o sucesso do evento é: Quem serão os jardineiros responsáveis pela indústria da maconha quando ela finalmente for legalizada?



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