Por que as músicas dos Racionais MC's estão cada vez mais atemporais?
- 9 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de dez. de 2024
No ano em que o grupo de rap mais amado e conhecido no Brasil, Racionais MC's, completa 35 anos de caminhada, ao revisitar a trajetória musical dos artistas, a realidade narrada nos anos 80 e 90 parece cada vez mais próxima de 2024, mesmo anos depois.

Com dois shows sold out no Espaço Unimed em São Paulo, dentro da programação da Boogie Week nos dias 24 e 29 de novembro, o grupo proporcionou para o público uma viagem no tempo em cada álbum, além de apresentar uma nova canção com Rael e Rincon Sapiência prevista para ser lançada em 2025.
Mas, após três décadas e meia de sucesso, por que um grupo que nasce a partir do relato da realidade de uma época tão violenta, como era São Paulo nos anos 80 e 90, ainda faz sucesso nos dias de hoje? Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay levam os fãs e o público à loucura com faixas que denunciam, refletem e questionam a violência policial, a criminalidade, a masculinidade, os afetos e os anseios de ser um homem negro na periferia.
“Nego drama Eu sei quem trama e quem tá comigo O trauma que eu carrego Pra não ser mais um preto fodido”
Mesmo batalhando diariamente para sobreviver no inferno, a cada 10h, somente em 2024, uma pessoa morreu na mão da Polícia Militar de São Paulo, tornando ainda mais difícil viver e competir com as estatísticas. O número dobrou no atual governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em relação a 2022.
Somente na primeira semana de dezembro deste ano, casos de diferentes agentes policiais cometendo violência contra pessoas negras foram um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e, para além da internet, os números apontam a urgência de mudança na forma como os militares atuam nas ruas, becos e vielas.

Por G1 São Paulo - 04/12/2024
“Muita pobreza, estoura violência! Nossa raça está morrendo Não me diga que está tudo bem! Muita pobreza, estoura violência! Nossa raça está morrendo Verdade seja dita!”
Segundo o estudo 'Pele Alvo: Mortes Que Revelam Um Padrão', em 2023, pelo menos sete pessoas negras foram mortas pela polícia a cada dia, nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. Em sua quinta edição, o boletim evidencia a norma da letalidade da ação policial.
Ao todo, foram 4.025 vítimas. Destas, em 3.169 casos foram expostos os dados de raça e cor, sendo que 2.782 (87,8%) dos mortos eram pessoas negras. Os números foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto às Secretarias de Segurança Pública e órgãos correlatos, de nove estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Ou seja, enquanto os abusos policiais reforçam o racismo institucionalizado no sistema público, o rap segue fazendo o seu papel de denúncia e de apontamento para uma realidade que ainda não mudou e que continua matando pessoas negras, por isso é tão importante.
E se a arte pode contribuir de alguma maneira para essa reflexão, o Museu das Favelas inaugurou no dia 06 de dezembro a exposição “Racionais - O quinto Elemento”, marcando a estreia da empresária Eliane Dias como curadora.
A proposta da exposição é revisitar a trajetória do grupo Racionais MCs, além de oficializar a reabertura do Museu em um novo endereço, agora no Pátio do Colégio. A equipe curatorial é composta pelo rapper Vitinho RB e pelos jornalistas Jairo Malta e André Caramante.
“Vamos brindar o dia de hoje Que o amanhã só pertence a Deus, a vida é loka”
Com comunicação visual desenvolvida pelo Vilanismo, a exposição dimensiona o tamanho da importância dos Racionais para a população e para o hip-hop. Misturando música, material acervo, artes visuais e alguns manuscritos dos artistas, a mostra promete ser um grande sucesso. É uma oportunidade para todas as gerações terem acesso à trajetória do grupo e refletirem sobre o legado dos quatro MCs que seguem fazendo história e registrando a memória e a cultura negra.
Acompanhe mais sobre a nova exposição no vídeo abaixo:
Serviços:
Terça a Domingo
Das 10h às 17h
(PERMANÊNCIA até as 18h)
Entrada Gratuita
Largo Páteo do Colégio, 148
Centro Histórico de São Paulo




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