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a ancestralidade presente em produções audiovisuais nacionais

  • 19 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2024


Dados da Agência Nacional de Cinema (ANCINE) mostram que o cinema nacional tem crescido nos últimos anos. O cinema brasileiro alcançou, em janeiro de 2024, um público de 3 milhões de espectadores - ocupando 31,3% das sessões programadas. No mesmo período de 2023 o número foi de 114 mil pessoas.


O boom criativo está quebrando barreiras para além do território Rio-São Paulo e inúmeras produções já provaram que boas histórias precisam ser contadas.


Se até a estreia de Bacurau (2019) e Marte Um (2022) o cinema não trazia grandes novidades para além de comédias pastelão ou filmes que retratavam uma realidade estereotipada do Brasil, após a pandemia, diversas narrativas mudaram completamente o tipo de filme que vemos nas telas, seja em uma sala de cinema ou em algum streaming. 


Observando essas novas narrativas - que acompanha também o resgate às histórias contadas a partir de produtores negros - o conteúdo dos filmes também mudou. 


Filmes que representaram sucesso no Brasil como Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003) e Tropa de Elite (2007-2010) mostravam um Brasil carregado de violência onde corpos negros esticados ao chão eram o principal mote da trama. 



Por outro lado, mesmo que um filme represente a realidade e aponte pessoas negras como as que mais morrem, ter essa mesma história contada de outra forma faz toda a diferença quando produzida a partir de uma ótica preta e ancestral. 


De acordo com o levantamento realizado pela ANCINE, chamado “Participação Por Gênero e Por Raça nos Diversos Segmentos da Cadeia Produtiva do Audiovisual”, entre 2018 e 2021 do total geral dos projetos inscritos para as Chamadas Públicas do Fundo Setorial para comercialização, produção, entre outras modalidades, 83% eram dirigidos por pessoas brancas e 11,8% por pessoas negras. A participação de mulheres não passou de 20%. Dos projetos aprovados e contratados nestas chamadas, 87% tinham pessoas brancas na direção contra 11,4% de pessoas negras.


E por que ter esse conhecimento é importante? 

Para o Candomblé, por exemplo, a morte é uma mudança de estado e de plano de existência, e não o fim da vida. Trazer essas referências nas narrativas muda completamente o contexto da história quando contada por cineastas negros. Até mesmo a morte é retratada de forma diferente para além de em um simples tiroteio com efeitos visuais.


A minissérie “Os Quatro da Candelária” (2024), recém lançada na Netflix, assim como o documentário “Diálogos com Ruth de Souza (2022)”, por exemplo, representam a importância de saberes ancestrais presentes em peças audiovisuais e na forma de representar a morte. 





Por mais triste que uma história seja, ela também conta sobre nossas raízes e nossa cultura, não há Brasil sem suas próprias referências regionais e religiosas, isso também precisa ser visto nas telas para além das produções rasas que dominam o mercado nacional.

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